domingo, 23 de setembro de 2007

Rimas fáceis (I)

Se o Cave rima "Byko" com "Psyco", e o Palma rima "Frágil" com "Ágil", também me sinto no direito!

Cais não é mais

O Cais do Sodré não é
Mais do que um cais
E a Baixa já não encaixa
Nos dois torreões
Do Terreiro-estaleiro
Mais valia o castelo
Ser pintado de amarelo
Bem como o fadista bairrista,
fogo-de-vista “pó” turista...

Anda à toa Lisboa
Avenidas despidas
De nascente a poente
Numa constante, incessante
Pungente, deprimente
Degradante e decepcionante
Remada forçada
A favor da corrente
São só ladrões, burlões
Em engates e biscates
Turbilhões de ilusões
Um S. Bento nojento
Tudo gente dormente...

No entanto, num canto
Um criança...
...esperança?

1 comentário:

Pinheirinha disse...

Não conheço quase nada de Cave, conheço alguma coisa de Palma e ainda tenho muito para conhecer de Ogando, mas apraz-me dizer o seguinte.

Se acrescentarmos um “h” a Psyco, ficamos com Psycho que realmente é um filme de culto do nosso ainda mais cultíssimo Hitchcock, mas nos dias que correm ando é com uma vontade ENORME de ver o Sicko do Michael Moore, que aborda a Frágil questão do sistema de saúde norte-americano. E por falar nisso, aqui está um espaço mítico, o “Frágil”, espaço esse em que eu nunca pus os pés. Já o mesmo não posso dizer do Cais do Sodré, não é? ( Agora percebo o que queres dizer com rimas fáceis ) E apesar de para alguns não passar de um cais, ora para mim é mais que isso. Talvez ainda influenciada pelos ares da capital que me acompanharam esta semana, o Cais do Sodré é para mim sinónimo de Jamaica ( e que divertida noite que aquela foi ), embora não tenha ouvido reggae ou música brasileira, daquela que muitas vezes se ouve nos Terreiros do nosso país irmão.
Ahh… essa terra onde o Homem poderia ser mais Humanidade, se quisesse, e não fosse só alegre com os pés e não pensasse que o amarelo do sol, que por acaso é o amarelo da esfera armilar que protege os nossos Castelos, serve só para nos iluminar…Essa terra que com os seus sons e as suas cores, perdidos e achados no Atlântico, nos fez “brotar” uma Amália e tornar-nos Fadistas Bairistas. Mas o fado não é só de Lisboa, o fado é também do Porto ( e não falasse eu da minha bela e amada “naçon” ). No entanto, o fado aqui é vadio, anda na garganta de quem quer, à hora que quer, por onde quiser. Ele está na Sé, em Massarelos, no Barredo, em S.Bento… está na voz de quem o quiser tomar, possuir, rasgar, acariciar… enfim, amar.
Tudo isto para dizer, que nem sempre compreendo bem, mas se este espaço te descontrai um pouco, se te faz sorrir um pouco, desabafa para aí, abre-te para aí e deixa lá isso da Esperança para outro dia, porque quem espera desespera ( há também quem diga que quem espera sempre alcança ). Ogandiza para aqui.

Beijossssss :)